Lute por suas próprias batalhas

Passei meus últimos meses em uma caverna escura, fugindo de meus inimigos e principalmente de meus medos. Quando consegui sair desta caverna, encontrei um antigo amigo, quase um irmão, uma pessoa que era muito forte, segura de sí, e sobretudo era daquelas pessoas que aparentavam nunca precisar de ajuda nem de ninguem, e que sempre estão dispostas a ajudar os outros.

Este reencontro foi no mínimo estranho. Apesar da nossa antiga proximidade, percebi que não éramos próximos, havia uma grande barreira entre nós. Apesar disso, havia uma grande rachadura nesta muralha, a qual só vim a perceber mais tarde, que proporcionou um encontro mais amável nos encontros conseguintes. Palestramos muito, ouvi muitas de suas histórias, e entendi muita coisa do que se passou com este meu amigo.

Devido as suas características de caráter, meu amigo ficou muito só e triste, pois morava em uma terra longínqua e lá além de sua família não teve muita felicidade, e não encontrou um amigo de verdade, apenas “amigos oportunistas”, os quais queriam seus vinhos e jantares.

A situação atual de vida social, além de toda a bagagem que ele carrega consigo e de todas as armaduras que ele teve que vestir (uma por cima da outra), para suportar uma guerra atrás da outra desde pequeno, o deixaram duro, com uma falsa sensação de impenetrabilidade e invencibilidade. Há muito tempo, este amigo esqueceu suas batalhas, e quis batalhar pelos outros, por que era passível de perdão falhar nas batalhas dos outros, do que falhar em suas próprias batalhas. Pois o pior crítico, e julgador impiedoso é o que está dentro da gente.

Este amigo, hoje passa por grandes dificuldades em sua vida. Sua família o está abandonando, pois suas atitudes o tornaram uma pessoa difícil de conviver, apesar de nunca ter deixado a família abondonada sem cama, comida, etc, faltou o principal, amor e dedicação. Em suas palestras, pude perceber que as armaduras que ele tinha não o deixavam forte, mesmo tendo várias camadas delas, a de cima apenas escondia os ferimentos da armadura abaixo, e suas feridas de guerra nunca foram tratadas, ou seja, as armaduras só o machucam mais, o tornando mais fraco e vulnerável.

O que aprendi com este meu amigo, foi duas coisas principais:

  • “Não lute as batalhas dos outros, mas invista todo seu esforço na sua, porque ninguem vai lutá-la por você com o esforço necessário.”
  • Armaduras não te deixam mais forte, apenas te protegem momentaneamente.

Depois de tanta palestra, e depois de ele ter se ouvido, e percebido coisas que antes não tinha para quem falar, e com isso não conseguia se ouvir, ele tirou suas armaduras e começou a tratar suas feridas e tentou mostrar sua verdadeira face para a família, agora sem as armaduras.

Contudo, isso não durou muito, e logo veio um inimigo de encontro a ele, e o que ele simplesmente fez, foi vestir novamente todas as antigas camadas de armadura, para ter novamente a falsa sensação de segurança e inabalabilidade, e isso abriu novamente cada ferida que ele possuia, deixando-o fraco e debilitado como antes.

Sinto-me mal quando fico impotente diante de uma coisa, que independente de qualquer força ou recurso que eu tenha, não consigo resolver. Infelizmente esta batalha é dele e é ele quem a deve travar.

Acho que voltarei para a minha caverna, e meditarei por mais alguns meses, como o velho sábio Zaratustra fez quando se cansou da ignorância do povo que o seguia.

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