Panteon » Sentinela

Archive for the 'Sentinela' Category

Estou emocionado!

segunda-feira, abril 30th, 2007

Depois do Nilton, que me mandou um e-mail a respeito de meu primeiro texto, é a primeira vez que tenho o prazer de receber não uma, mas duas observações acerca de um post meu.

Um amigo uruguaianense enaltece a minha memória de Goya Navarro, acrescenta que recebeu o pibe em sua casa no fim dos anos 80, pouco antes do fatal acidente. Ele conta que guarda alguns manuscritos do poeta librenho (de Paso de los Libres, fronteira com Uruguaiana), inclusive a versão não corrigida desse que publiquei aqui.

O outro e-mail é de um amigo cascavelense curioso, que me disse ter vasculhado o Google atrás de mais material de Navarro e que nada encontrou… É, pessoal, infelizmente não podemos pensar que os sítios de busca consigam dar conta de tudo, principalmente quando se trata de manifestações muito localizadas.

Não quero ser injusto quanto à manifestação do voto nos textos das páginas, embora eu o ache muito impessoal e distante. Tenho até vontade de interagir com os outros textos, mas tropeço na inabilidade informática para comentá-los.

Sempre quis fazer algumas observações pontuais aos textos de meus amigos panteônicos e suas alegorias, já que não se trata de metáforas. Entretanto, sou incompetente nos meios, e isso fica pra depois.

Meu muito obrigado aos dois amigos e suas colaborações. Isso é um estímulo para que eu continue!

Goya Navarro

quarta-feira, abril 25th, 2007

Goya Navarro é um poeta esquecido. O Brasil xenófobo tal aceita quando alguém lembra que se tratava de um argentino. Mais se o entende quando se diz que não aceitava a modernidade dos meios de comunicação. Sua poesia, romântica que nem ele, era servida nas mesas de bar pelos amigos, reproduzida nos antigos (já?) mimeógrafos a álcool e manivela.
Reproduzo um de seus poemas modernos: A dor. Eu mesmo tomei a liberdade de traduzir do belo espanhol.

A dor mente
Dormente adormece
Adormecendo a mente
A mente me sendo dor
Dor essa mente
Mente essa dor?
Há dor? (Hay dolor)
Mentira!
Há mentira
Adormecendo a dor!

O poema sempre me lembrou Fernando Pessoa, e acho que Goya Navarro o conheceu, mesmo não tendo tido uma formação muita sistemática nas letras. Lembra-me os românticos brasileiros que, como ele, também morreram quase meninos.
A insistência monocórdia nesses dois compassos (mente e dor), remete a canções de adolescentes nas guitarras, quando se sabe poucos acordes e se reveza saltando de um para outro, cantando aqueles dilemas insolúveis que habitam essa época da vida.
A preferência pelo jogo de palavras pode dar a impressão de experimentalismo de vanguarda, mesmo que, na verdade, tenha brotado de brincadeira com a pequena acuidade lexical.
Ainda assim, eu imagino que dor é essa nessa mente juvenil. A mente que dói; o saber que dói; o pensar que dói. E que mentiras ele inventou para amortecer, adormecer, entorpecer a sua consciência de algo doloroso. Ou a própria mentira lhe dói?
O mais importante é que o texto se mantém e nos diverte ou nos faz pensar. Creio que não dói!

Alerta da Sentinela – 2003

sábado, março 17th, 2007

Não existe mais Educação. Se é que já existiu a preocupação em preparar o ser humano não só para o mercado, mas também para o cultivo de suas mais variadas aptidões! A escola pública deixou de se preocupar em formar cidadãos para o mundo, para o exercício da humanidade; apenas prepara mão-de-obra (se é que alcança esse fim) para a atividade econômica predominante na região. Parece-me que é uma maneira de prender o indivíduo a um determinado lugar, sem ao menos lhe permitir conhecer outras vivências, privando-o também de saber que a vida humana pode ser diferente.

Cultura? Mesmo sem especificar o termo, posso dizer que, na escola, só se leva em conta a do entretenimento. Até entre os mestres (talvez por isso também), prevalecem os valores de mercado. Arte é tão-somente a última bestialidade repetitiva e estupidificante que invade os meios de comunicação de massa, que precisam criar novas edições de seus ídolos consumíveis a cada semana.

Entender o mundo que nos cerca como produto da atividade não só de nossos contemporâneos, mas também como o de todas as gerações anteriores; aprender a explorar as faculdades humanas e realizar-se como indivíduo, conquistando humanamente essa individualidade, libertando-se dos estereótipos; compreender que, ao redor do planeta (e isso não é muito longe!), as pessoas têm diferentes maneiras de viver e de se relacionar e que essas relações podem nos ser muito significativas; essas e outras coisas eu vejo, com pesar, que estão afastadas das escolas, dos educadores.

Mostrar aos meninos e às meninas que existe algo mais na vida além de trabalhar, entreter-se, trabalhar, entreter-se… Falamos muito em fazer história, pois bem, façamo-la. É preciso reagir e resgatar a humanidade; é preciso combater a mesmidade.

Não gosto de carros.

domingo, fevereiro 25th, 2007

Não gosto de carros. Não os entendo. Fico admirado com o conhecimento enciclopédico (Wiki???) que muitos têm a respeito deles. Conheço ou apenas vi pessoas que sabem, a distância, até o ano de fabricação a partir de determinado detalhe. Não me perguntem que detalhes, pois até nisso eu sou fraco. Uma lanterna, sua posição, a grade… Uma vez encontrei um amigo num posto de gasolina (pra mim um lugar a mais pra se comprar cerveja), que identificou o tipo de motor de um carro estacionado pelo “roncoâ€?.
Por outro lado, é-me necessário ter um: as distâncias do trabalho são grandes e exigem celeridade. Trata-se de uma ferramenta. Mas não gosto de vê-los como fetiche, objeto de fantasia, de idolatria. Pior ainda me soa como sobrenome. Morei em algumas cidades em que as pessoas eram conhecidas pelo seu nome acompanhado do carro que possuíam ou andavam. Na sua também é assim?

Também sei de pessoas que têm o automóvel (palavra pouco usada pra se falar deles!) como extensão de sua personalidade – Esse carro tem tudo a ver com ele, é a cara dele!
E aquele que mostra o veículo como o aspecto mais importante de seu caráter, coisa de que eu não duvido :D . “Quem não sabe que ela sai com ele só por causa do carro?�

Meu Deus!!!!!!! Um arranhão!!!!!  Me esfaqueiem, me chutem, mas não arranhem a pintura dEle!!! Não quero perder a originalidade!

E louvem-se os freios, a aceleração, os bancos EM couro (mesmo com a preposição inadequada), os pára-choques Na cor (de novo o “em�).

Parem a conversa! Parou tudo! Desculpe Raul: pare o mundo!!!!!!!!!!!!!

Olhem !

Está passando o Austregésilo com a nova BWXYZTF turbo: tração nas 4, com teto, direção, vidro, pneu, roda, freio, abcd, raios x, infavermelho, pentium a bordo, vcd, inps, fgts, clt, url, vhs, hiv, cdf, uau!!!!!!!!!!

São cinco caras dentro, gritando ao som de …

Não, não vão querer que eu fale o que estavam ouvindo!
Esse parte eu deixo pra outro!

Lá no Walnor.

domingo, fevereiro 11th, 2007

Acabo de chegar de uma reunião daquelas de que eu realmente gosto. Um churrasco na casa do Walnor! Digo isso não para sobrevalorizar pra quem não esteve; nem porque se tratava de um churrasco (aliás muito bem assado e servido). Sei que muitos apreciam um churrasco com cerveja gelada, e é até maldade com aqueles dos nossos que estão longe dizer isso com tão saborosa satisfação…

Entretanto o ingrediente principal, além da simpatia dos anfitriões sempre merecedores de nota dez, foi a oportunidade da conversa com os amigos, que eu, por falsa modéstia, não me atrevo qualificar de inteligente, mas posso dizer interessante.

Bom, se estávamos o Walnor e eu, pode-se dizer que se trata de um tópico panteonítico, mesmo quando não se tratava diretamente do Panteon. É inevitável, porém, quando estamos, pelo menos, dois juntos, que se trate do Panteon!

Comentamos, entre outros assuntos de interesse universal, acerca dos textos no site (quem é quem? O quê???), de como partimos, de onde estamos, e, principalmente, para onde vamos.

Como na vida, perguntamos: o que estamos fazendo? Para que estamos aqui? Para onde vamos? Qual o sentido de tudo?

Respondemos um ao outro as perguntas. Mesmas perguntas, diferentes respostas.

Cerveja gelada no meio. Salada de repolho com orégano (creio). Mais perguntas: Cascavel na primeira; trabalho na segunda; qual cerveja na terça…

Chegamos a conclusões muito interessantes!!!!!!!

Quais????

Numa próxima reunião do Panteon!

Saudações panteônicas

quinta-feira, fevereiro 8th, 2007

oiee gentiii!!! Td beim cum vcs?? faz tempinhu neh?! taum dexa eu colocah vcs a par das novis….
meee discubri ki tem reuniaum dus Dons… ctza ki eu vo!!!   a ultima foi mt legal..adorei…i ainda pudi q tomah caipira do Pô!!!!!
Taum pudia fazeh uma aki nu salaum i apoveitah o gramadaun du Nil!!!!!
Pinga di morangu pah tds us miguxus… jah viu???
taum + agora flandu di outra coisa…  esse fds foi bem legal atehh… eu i os mininos fomos pescah… hsaushaasuhsausahuashsua… domingu eu fikei susse im ksa…tinha ki dah aula di portugueis sigunda… tenhu responsabilidade i talz… …afffffff… …no comments!!!!
Taum galerinhaaaaaaa… axu ki uq eu tinha pah flah era issu..bjooooo pah td munduuuuuu …=**** =\\\\\\\\\\\\\

Mito e Imaginário no Mundo Contemporâneo

quinta-feira, fevereiro 1st, 2007

Todas as gerações humanas de que se tem notícia, todas as civilizações, independentemente de seu estágio de desenvolvimento ou de meio de produção, já voltaram ou voltam seus interesses sobre a origem do homem e de seu mundo. Tal interesse aparece em vários ramos da investigação científica, da filosofia e da religião.

Nas sociedades arcaicas, aquelas que conservam hábitos milenares de relação com o ambiente, que vivem da caça e da agricultura primitiva, cabe aos mitos o papel de dar conta daqueles acontecimentos originais: “No princípio, era o caos…â€?; “No princípio o Céu e a Terra se uniram…â€?. vários povos  têm mitos que explicam como foi o princípio do mundo. Assim surgiram eles, que ainda hoje sobrevivem entre povos primitivos também sobreviventes. Mas é certo que o mito ultrapassa esse objetivo, pois, além da cosmogonia, vários outros fenômenos são “explicadosâ€? pela narrativa mítica, como o surgimento de fragmentos desse mundo (uma montanha, uma planta, um rio, uma espécie de peixe), os ciclos das estações, a origem dos remédios e, sobretudo de costumes e ritos que permitem ao homem interagir com o seu mundo. Ainda assim permanece a idéia da explicação da origem, seja do mundo ou de seus elementos e fenômenos.

Entretanto, nas sociedades ditas históricas, o uso do mito se espraiou para além dessas narrativas de origem, encontrando-se, muitas vezes como modelo, nas mais variadas áreas do conhecimento: a Antropologia, a Sociologia, a Filosofia, a História, a Etnologia, as Artes, a Etimologia, entre outras. E, com a evolução histórica dos modos de produção e a quase extinção das sociedades de modo de vida primitivo, o mito teve seu status sensivelmente modificado.

O mito, em nossa civilização ganha uma nova faceta: objeto de estudo, e, como acontece com todo objeto do conhecimento interdisciplinar, sua definição ou conceituação é uma tarefa difícil. Por isso abundam conceitos, definições que seguem os diversos pontos de observação do fenômeno. Cada uma das disciplinas ou ciências tem o seu conceito de mito
Os dicionários, a respeito do objeto deste trabalho, trazem nédios verbetes, o que por si demonstra a amplitude de usos da palavra.  No Houaiss, encontramos: “1 relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres que encarnam, sob forma simbólica, as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana; lenda, fábula 2 narrativa acerca dos tempos heróicos, que geralmente guarda um fundo de verdade�, para citar apenas duas entre as dez que ali estão.

Essas duas acepções nos trazem uma idéia a respeito do “mito� que, apesar de ser corrente em nossa cultura atual, muito se distancia  dos valores da narrativa mítica das sociedades primitivas: a idéia de fantasia e de irrealidade. No senso comum de nossa época, mito equivale a mentira, enquanto para o homem primitivo, mito é verdade e narra acontecimentos verdadeiros.

(mais…)

O tempo e o vento – parte II

quinta-feira, janeiro 25th, 2007

Uns dizem que é a cura para todas as doenças, que a tudo conserta, que a tudo acomoda. Tempo de esquecer. No Incidente em Antares foi assim. Os mortos da praça se perderam num passado que permitia dúvidas sobre sua aparição e sobre todo o acontecido. Tem sido assim ainda. Mesmo com os registros documentados, com as memórias de arquivo, com as câmeras discretas (sim, elas o são!), com o meio em que agora escrevo estas linhas.

Dizem também que o tempo não volta, que não pára na curva, que não se repete: é sempre diferente e sempre outro. Ser sempre e nunca ser: característica insólita essa de ser sempre e mesmo assim diferente.

Passa aos poucos ou passa rápido. Bons tempos aqueles em que um dia parecia uma eternidade (o pátio de casa era país imenso a ser explorado). Bons tempos em que o tempo era bom pra nós. E não me venham dizer que o dia da minha infância tinha as mesmas horas de hoje. Ah, claro que não! Posso dizer hoje algo que então nem imaginava: os tempos eram outros. Naquele tempo, vinte e quatro horas demoravam muito mais pra passar. Dava pra brincar de um monte de coisas diferentes, mesmo tendo ido à aula.

O tempo voa? Então só voa, pois não decola nem pousa. Também não bate asas.

Tempo de aprender, tempo de entender, tempo de recordar, tempo de amadurecer… que dó, que dor!

Faz tanto tempo que nem lembro mais. Faz muito tempo, mas eu nunca esqueci.

O nascimento, a morte, o acidente, o roubo, o plano econômico, a invasão, o seqüestro, a perda, o ganho, a ilusão, o namoro, o casamento, a separação, o choque, a queda, o raio, o vestibular, a formatura, a descoberta, a derrubada, o encontro, o depoimento, a acusação, a gravação, a foto, a publicação, o julgamento, a condenação, a prisão, o campeonato, o bi, o tri, tetra, a frustração do hexa, a volta, a libertação, a liberação, o aumento, a taxação, a descriminalização, o impeachment, o fico, a despedida, a chegada, a surra, a vitória, a derrota, o empate, o ponto, gol, o mergulho, o derretimento, a explosão, a vergonha, o tempo…

Quando mesmo que foi? Alguém se lembra?

Três rapazes executados, o governante achacado, o deputado assassinado, a multinacional invadida, a roleta russa fatal, o comerciante morto em frente a loja de peças, o jogador de futebol e a socialite, a falência daquela grande empresa, a transferência do promotor, o enfarte do jovem empresário, a morte na derrapagem na chuva, o incêndio da madeireira, a queda do avião, o afogamento dos dois rapazes na barragem, a rebelião na cadeia, a greve na escola, o linchamento do assaltante, o seqüestro da mulher do fotógrafo.

Já se passou muito tempo. Lembro-me como se fosse hoje.

O tempo apaga tudo, cura tudo. O tempo só aumenta minha dor. Eu li nos jornais e acompanhei pela TV. Eu vivi tudo isso, eu estive lá. Ninguém mais lembra. Não consigo me esquecer.

Para eles, o tempo passa. Para nós, é tudo igual. O passado é o nosso presente. Para nós não há presente, não há futuro. Vocês vivem no passado. Você não tem futuro.

Por favor, me dêem tempo!